Um dia, saudade...

Fragmentos do Caramuru (XII)

Gildo - Discorrer sobre a raça de Gildo é como o fazer com relação a uma lenda, a um mito. Como médio recuado na diagonal da esquerda (hoje a função é tida como de zagueiro), tornou-se figura clássica do Caramuru e ainda temos vivas na memória as famosas escalações: Pedrinho, Neno e Gildo; Hermínio, Neno e Gildo; Hermínio, da Guia e Gildo. Em 1956, quando Hermínio retornou ao arco, eriçando a incompreensão de inamistosos cronistas curitibanos, o deslocamento de Gildo para o comando do ataque enfureceu ainda mais a imprensa curitibana. Gildo com a camisa nº 97 Era a desmoralização do futebol paranaense, diziam. Outros quadros tiveram ou viriam a ter esse direito: o Flamengo havia feito isso com Biguá, e viria a fazer com Beto; Em Curitiba, Juve, Sanford, Guará (Atlético), Merlim (Coritiba), Marcelino (Ferroviário), tiveram o mesmo destino; isso para não mencionar Alfredo (Vasco), deslocado por Flávio Costa para a ponta direita, no discutido empate (2x2) com a Suíça, na Taça Mundial de 50, no Pacaembu. Mas o Caramuru não podia contar com essa prerrogativa. Os cronistas da capital implicaram até com o nome do Stéfano, acreditando na sua ingenuidade que estávamos a copiar o nome do lendário atacante argentino Di Stéfano.

O fato é que Gildo se revelou impiedoso goleador, nas poucas partidas em que vestiu a camisa nove, inclusive conseguindo vitória contra o Atlético. O mais pitoresco: inventou ficar pulando na frente do zagueiro que ia cobrar o tiro de meta, dando-lhe a costa, e em um desses lances a bola bateu em seu trazeiro, ricocheteou e entrou na meta adversária, em gôl inusitado. Se não me falha a memória na partida vitoriosa contra o Atlético.


O BRAVO ABRIL 1996

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