A colonização dos Campos Gerais do Paraná teve seu início no século XVIII. A motivação inicial e o contexto econômico dessa fixação de povoadores diferiram dos objetivos que impulsionavam as penetrações pelo interior do Brasil anteriormente.
As fontes destacam que a motivação inicial da colonização nos Campos Gerais, no contexto do século XVIII, se concentrava principalmente na exploração pastoril.
Motivações Precursoras e a Mudança de Foco
Embora a colonização dos Campos Gerais tenha sido influenciada por objetivos de penetração anteriores, o foco mudou no século XVIII. As motivações que antes se objetivavam incluíam:
- A posse da terra.
- A localização de minas.
- O apresamento do aborígene (escravização indígena).
No entanto, a fixação de colonos brancos na região só se tornou viável posteriormente, decorrente de outros interesses e da experiência do povoamento do litoral (Paranaguá) e de Curitiba. A preocupação primordial do colonizador já não era mais a cata de pedras preciosas ou a escravização do indígena.
A Motivação Principal: Exploração Pastoril e Economia de Subsídio
A principal força motriz para o povoamento e fixação no século XVIII foi a pecuária.
- Necessidade de Abastecimento: Os Campos Gerais se prestavam à exploração pastoril para fornecer animais destinados ao transporte e à alimentação nas regiões onde se descobriam ouro e onde afluíam aventureiros, como os sertões de Sabará e Ouro Preto.
- Expansão Pastoril: A expansão pastoril começou sob circunstâncias favoráveis, mas estava sujeita ao regime do monopólio estabelecido pela Coroa, sendo incrementada pelas concessões de sesmarias.
- Papel Econômico: O trabalho pastoril não significava um modo de vida sedentário ou atividades agrícolas (que eram insuficientes). A pecuária era, na verdade, um subsídio para a história dos povoadores do Paraná. Os povoadores se transformavam em criadores e tropeiros, desbravando os caminhos para o Sul, até Buenos Aires.
- Vínculo com as Sesmarias: Quase todos os requerimentos de sesmarias no século XVIII alegavam a posse de uma família numerosa, com escravos, e o interesse econômico no aumento da pecuária. Em poucos anos, os campos conseguiam prover o gado vacum, alimento necessário ao consumo.
- Criação de Gado como Foco: As dificuldades iniciais foram superadas, e a razão pela qual os primeiros povoadores residiam nos Campos Gerais era quase que exclusivamente de ordem ecológica: a predominância de capões e pinheiros era utilizada para a criação de gado. Os povoadores das zonas litorâneas, onde se dedicavam a outros ofícios, tiveram que se adaptar à pecuária e a um novo sistema de atividade econômica.
O Sistema de Sesmarias e a Criação de Gado
O início da colonização por sesmarias pode ser evidenciado em diversas concessões no início do século XVIII. Por exemplo:
- Capitão-mor Pedro Taques de Almeida obteve sesmaria em 1704.
- Capitão Manoel Gonçalves da Cruz obteve três léguas de terras em 1708, alegando que "que se começarão a medir onde acabarem as terras do sargento-mór Manoel Gonçalves de Aguiar".
- Maximiliano de Góis e Siqueira e seu irmão Luiz Pedroso de Barros requereram terras em 1725, alegando relevantes serviços prestados na abertura dos caminhos para as minas de Cuiabá, obtendo terras entre os rios Jaguariacatu e Itararé.
- Manoel Mendes Pereira, em 1725, obteve terras para povoar com currais e lavouras, alegando ter gado vacum, cavaladuras e criações em Curitiba.
A formação de "currais" (locais para criar e negociar gado) era o modo como se legalizavam as sesmarias concedidas, resultando na fixação de colonos e no povoamento efetivo dos Campos Gerais.
Contexto da Tropeiragem
Essa motivação econômica ligada ao gado e ao transporte (a tropeiragem) teve grande importância, estendendo-se além do Paraná. Havia um novo "rush" de paranaenses para o sul, buscando gado arreado para ser vendido em povoados como Curitibanos e Campos Novos, antes de serem levados a São Paulo, especialmente para as feiras de Sorocaba, destinadas ao comércio de mulas. Os tropeiros paranaenses foram considerados aqueles que contribuíram decisivamente para o progresso de São Paulo.
Portanto, a Motivação Inicial para a fixação de colonos nos Campos Gerais no século XVIII, embora partindo de antecedentes de exploração (minas e índios), consolidou-se na pecuária e na exploração pastoril, suprindo economicamente as necessidades de transporte e alimentação geradas pela afluência de pessoas às regiões mineradoras do interior do Brasil.
Comentários
Postar um comentário