As Consequências Econômicas da colonização nos Campos Gerais, no contexto das Dificuldades e da Cultura dos Povoadores, são diretamente derivadas da exploração pastoril, que exigiu uma adaptação extrema e resultou na criação de uma elite latifundiária e no desenvolvimento do comércio de longo alcance (tropeirismo).

1. Estabelecimento da Pecuária como Base Econômica

A principal consequência econômica do povoamento no século XVIII foi a consolidação da pecuária como atividade essencial, suplantando a busca por minas ou o apresamento de indígenas.

  • Finalidade Principal: A pecuária era fundamental para o fornecimento de animais para transporte e para alimentação nas regiões de mineração no Brasil Central, como Sabará e Ouro Preto.
  • Fixação e Sesmarias: A posse da terra, legalizada pelas sesmarias, era usada para incrementar a pecuária. A formação de "currais" (currais) possibilitava que, em poucos anos, os campos proviam o gado vacum, alimento necessário ao consumo.
  • Riqueza em Gado e Muares: Os inventários demonstram a enorme riqueza acumulada em animais. Por exemplo, o inventário de Francisco Carneiro Lobo (1750) listou 1848 cabeças de gado vacum e cavalar, além de outros animais de pequeno porte. Outros inventários detalham a posse de centenas de gado vacum e cavalaria.

2. A Cultura da Versatilidade Econômica (Consequência das Dificuldades)

As dificuldades impostas pela ordem ecológica (campos vastos e insuficiência agrícola) e a escassez de recursos moldaram a cultura dos povoadores, gerando uma consequência econômica de versatilidade forçada:

  • Insuficiência Agrícola: A fixação de brancos não significava uma vida sedentária em atividades agrícolas, que eram insuficientes.
  • Multi-Ofícios: Para sobreviver, o povoador tinha que ser um faz-tudo, atuando como agricultor, pecuarista, engenheiro e mestre. Ele precisava saber ensinar a carrear, preparar o couro, erva mate, farinhas, construir casas, fabricar móveis e instrumentos de trabalho, e tecidos. Essa necessidade de ofícios múltiplos era uma consequência direta dos poucos recursos disponíveis.

3. Integração Regional e o Tropeirismo

A pecuária teve como consequência econômica mais significativa a criação da atividade tropeira, que integrava a economia dos Campos Gerais ao resto da Colônia:

  • Subsídio ao Povoamento: O trabalho pastoril era o subsídio para a história dos povoadores, que se transformavam em criadores e tropeiros, desbravando os caminhos para o Sul, até Buenos Aires.
  • Valor do Transporte: Os animais cavalares (cavalos e muares), essenciais para a tropeiragem, eram frequentemente avaliados como de maior importância econômica do que o gado vacum nos inventários.
  • Comércio e Fluxo Financeiro: A tropeiragem gerava um "rush" de paranaenses para o Sul, buscando gado arreado para venda, especialmente nas feiras de Sorocaba (São Paulo), destinadas ao comércio de mulas. O tráfico e o comércio de animais aumentavam mensalmente.
  • Progresso de São Paulo: Os tropeiros paranaenses foram considerados aqueles que contribuíram decisivamente para o progresso de São Paulo.

4. Consequências na Estrutura de Propriedade e Mão de Obra

A consequência da pecuária intensiva e do sistema de sesmarias foi a consolidação de uma estrutura social e econômica baseada no latifúndio e na exploração da mão de obra:

  • Latifúndio e Desigualdade: Os povoadores, como os Taques e os Carneiro Lobo, acumularam vastos territórios, estabelecendo a riqueza local e um sistema de privilégios.
  • Uso de Escravos: A manutenção dessa vasta produção pecuária dependia de mão de obra escrava. Os povoadores tinham que contar com a capacidade de trabalho de escravos, que eram descritos como "completamente broncos nas lidas campestres". Inventários registravam a posse de escravos e libertos, como visto no caso do Tenente Fogaça, que deixou bens a vinte e nove escravos e ex-escravos por testamento.
  • Fiscalização e Tributação: A Coroa, através de suas autoridades (Ouvidores e Câmaras), regulava estritamente a atividade econômica, através de proibições e da cobrança de licenças pela passagem de animais. Isso demonstra que, embora a atividade fosse próspera, ela estava submetida a um regime fiscal e regulatório rigoroso.

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