Essa época, que engloba o nascimento (1757) e o falecimento (1842) do Coronel Luciano Carneiro Lobo, é o período de ouro da história de Castro e dos Campos Gerais no Paraná, marcado pelo Tropeirismo.
Castro nasceu e se desenvolveu por ser um ponto estratégico nesse contexto:
1. O Pouso do Iapó e o Tropeirismo
Origem da Vila: Castro era inicialmente conhecida como o "Pouso do Iapó". Devido ao Rio Iapó transbordar com facilidade, os tropeiros (viajantes que conduziam mulas e gado) eram obrigados a pernoitar por dias ou até semanas em suas margens. Esse pouso constante levou à fixação de moradores.
O Caminho das Tropas: A cidade estava no principal eixo de circulação de mercadorias e gado do sul do Brasil, que ligava Viamão (RS) a Sorocaba (SP). O comércio de gado era a principal atividade econômica e o modo de vida local era moldado por essa intensa mobilidade.
Sociedade Tropeira: A elite local, como a família Carneiro Lobo, estava profundamente ligada à atividade agropastoril e ao comércio de animais. O Coronel Luciano Carneiro Lobo, pelo seu título, provavelmente era um fazendeiro ou militar de prestígio envolvido nesse sistema.
2. Desenvolvimento e Institucionalização
Freguesia e Vila: O povoamento cresceu rapidamente, sendo elevado à categoria de Freguesia de Sant'Ana do Iapó em 1774 e, crucialmente, a Vila Nova de Castro em 20 de janeiro de 1789. O nome "Castro" foi uma homenagem a Martinho de Melo e Castro, Ministro dos Negócios Ultramarinos de Portugal.
Patrimônio Histórico: Grande parte da arquitetura e do centro histórico que preservamos hoje (como a Igreja Matriz e casas de taipa de pilão) data dessa fase, refletindo a riqueza gerada pelo tropeirismo.
3. Aspectos Sociais
Escravidão: Como era comum na economia agropastoril da época, a sociedade de Castro dependia intensamente do trabalho de escravos (africanos e indígenas) para cuidar do gado, conduzir as tropas e nas atividades domésticas.
Poder Local: Famílias influentes, como a de Luciano Carneiro Lobo, exerciam grande poder político e econômico, sendo responsáveis pela instalação da vida administrativa e jurídica da Vila.
Em resumo, durante a vida do Coronel Luciano Carneiro Lobo, Castro passou de um simples "pouso" à beira do rio para uma das mais importantes e prósperas vilas do sul do Brasil, com uma economia e cultura totalmente centradas no ciclo do Tropeirismo.
São três aspectos fascinantes! Vou detalhar um pouco sobre cada um, focando no período em que o Coronel Luciano Carneiro Lobo viveu.
1. A Atividade dos Tropeiros
A figura do tropeiro era a espinha dorsal da economia e da comunicação do sul do Brasil.
A Rota e a Carga: O principal trajeto era o Caminho de Viamão a Sorocaba. O produto mais valioso eram as mulas e o gado criados no Rio Grande do Sul e vendidos em Sorocaba (SP), de onde seguiam para outras regiões do país. Mulas eram essenciais para o transporte de carga nas serras e estradas precárias.
O Cotidiano: A vida do tropeiro era dura. Eles viajavam em grupos grandes, atravessando rios e serras, dormindo em ranchos ou ao ar livre. O tempo de parada em locais como Castro, o "Pouso do Iapó", era crucial para descanso, reabastecimento e para aguardar a baixa das águas do rio.
A Cultura Tropeira: Eles eram os principais difusores de cultura, notícias, costumes e até receitas culinárias. O rancho, a culinária (como o feijão tropeiro), as canções e a vestimenta (poncho, chapéu e botas altas) definiram a identidade da região dos Campos Gerais. O Coronel Luciano Carneiro Lobo, vivendo em Castro, estava no centro dessa efervescência cultural e comercial.
2. A Arquitetura da Época (Séculos XVIII e Início do XIX)
A arquitetura em Castro desse período reflete a necessidade de durabilidade e a riqueza emergente da elite tropeira.
Taipa de Pilão: A técnica construtiva dominante era a taipa de pilão. O solo argiloso era compactado em formas de madeira (taipas) para criar paredes sólidas, grossas e extremamente resistentes. Muitas das edificações mais antigas e tombadas de Castro foram feitas assim.
Estilo e Uso: As construções eram geralmente térreas ou de um pavimento, com telhado de telhas de barro, poucas aberturas (janelas pequenas e poucas portas) e estrutura simples. Isso era prático e adaptado ao clima e aos materiais disponíveis.
Casa de Moradia: As casas abastadas da elite, como a de uma família com o status do Coronel, teriam divisões mais claras entre a área social (salas, oratório) e a área de serviços/escravos, mas mantendo a solidez e a simplicidade formal da arquitetura colonial.
Igrejas: A primitiva Capela de Sant'Ana do Iapó (hoje Igreja Matriz) e outras construções religiosas eram os pontos focais da vida social e arquitetônica.
3. A Vida das Famílias Abastadas (Como a do Coronel)
A família Carneiro Lobo, sendo uma das pioneiras na região (com forte ligação desde o início do século XVIII) e produtora de um Coronel, certamente fazia parte da elite rural de Castro.
Patrimônio e Poder:
Propriedade da Terra: Sua riqueza vinha da posse de extensas sesmarias, dedicadas à criação de gado e mulas, e também da produção de alimentos. O casamento com Francisca de Sá e Arruda (em 1777) é um indicativo de aliança entre famílias tradicionais, fortalecendo seu controle sobre a terra e a política local.
Títulos: O título de Coronel era mais do que militar; representava a patente máxima da Guarda Nacional no Império. Na prática, o Coronel era o chefe político e militar de seu município, responsável por manter a ordem e exercer a autoridade em nome do Imperador.
O Cotidiano Doméstico:
Família Numerosa: Como se viu, ele teve pelo menos 8 filhos. Ter uma família grande era uma forma de garantir herdeiros e alianças estratégicas para a continuidade do poder e dos negócios.
Trabalho Escravo: O cotidiano da casa dependia do trabalho de escravos, tanto para as atividades pastoris nas fazendas quanto para o funcionamento da casa na Vila (cozinhar, limpar, cuidar dos filhos).
Política e Justiça: As famílias abastadas controlavam a Câmara Municipal, os cargos da justiça local e a Guarda Nacional, tomando decisões que afetavam toda a vida da Vila (como obras públicas, impostos e segurança).

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