O Apresamento como Motivação Precursora
O apresamento do aborígene (ou a escravização indígena) é explicitamente listado como um dos objetivos que objetivavam as penetrações pelo interior do Brasil, realizadas pelas Bandeiras antes do povoamento efetivo da região dos Campos Gerais. Tais objetivos incluíam:
- A posse da terra.
- A localização de minas.
- O apresamento do aborígene.
Essas incursões faziam parte de um contexto histórico anterior, que visava a exploração e a obtenção de mão de obra escrava.
A Mudança na Motivação Inicial (Séc. XVIII)
As fontes indicam que, quando a fixação de brancos nos Campos Gerais se tornou viável, o foco primário das motivações mudou, especialmente após a experiência do povoamento do litoral (Paranaguá) e de Curitiba.
A preocupação primordial do colonizador já não era mais a cata de pedras preciosas, nem a escravização do indígena.
A motivação que impulsionou a colonização efetiva dos Campos Gerais no século XVIII concentrou-se, então, na exploração pastoril.
O Contexto da Mão de Obra Escrava e Resistência Indígena
As fontes sugerem que a região, de fato, não se consolidou sob um regime intenso de escravização indígena:
- Inviabilidade Escravista: A região dos Campos Gerais não se prestava ao regime escravagista. Um exemplo disso é o processo de repressão de uma revolta de escravos em 1739, onde as autoridades se focaram em prender os pretos fugidos (escravos africanos ou afrodescendentes), e não a população indígena local.
- Dificuldade de Captura: A vastidão dos campos e as longas distâncias proporcionavam liberdade. O viajante não conseguia prear índios nos campos, o que levou à vinda de africanos para trabalhar nos feudos dos Campos Gerais.
- Fuga dos Nativos: Quando os africanos foram trazidos, eles também não se sujeitavam ao trabalho escravo e fugiam nos magotes.
O Apresamento como Atividade Auxiliar ou Militar
Embora o apresamento do aborígene não fosse a motivação inicial primária para a fundação dos povoados do século XVIII (que era a pecuária), a atividade de captura de indígenas persistia em outros contextos:
- Combate a Gentios: Em 1789, no processo de povoamento, menciona-se que o recrutamento para o sul era feito tanto para combater os castelhanos quanto para o apresamento dos gentios.
- Capitães do Mato: Em 1780, a Câmara de Curitiba nomeava capitães de mato para caçar os negros foragidos, indicando que a preocupação central das autoridades locais estava na repressão da fuga de escravos (negros e mestiços), e não na captura inicial de aborígenes.
Em resumo, as fontes indicam que o apresamento do aborígene era um objetivo histórico das penetrações anteriores (Bandeiras), mas na Motivação Inicial do povoamento efetivo dos Campos Gerais no século XVIII, a prioridade mudou para a exploração pastoril, sendo a escravização do indígena uma preocupação secundária ou inviável na região.
Comentários
Postar um comentário