Esse velho retrato é desses que ficam esquecidos no baú, jogados no sótão. Em primeiro plano, uma das muitas pontes de madeira que já foram feitas sobre o rio Iapó, no Pouso das Tropas.
À esquerda, o terreno cercado por muro onde foi depois construído o prédio ocupado por Nho Clarimundo Vassão, Nho Nenê Vilela e Cia. Onde se vê o pinheiro, foi construído o prédio do Grupo Escolar inaugurado festivamente em 29-11-1904(1) pelo então Presidente da Província do Paraná, Vicente Machado, que lhe deu o nome. A parte da ponte, rumo sul, a tabeira conduz ao Largo da Matriz, cuja igreja ainda está de pé(2). Pela bifurcação à direita, segue a rua das Tropas, tropas que seguiam pela rota Rio Grande do Sul - São Paulo, cruzando o antigo Pouso do Iapó.
DA HISTÓRIA DENTRO DA HISTÓRIA
O retrato traz a data: 1878. Trata-se portanto de uma das primeiras fotografias feitas por aqui visto que antes disso não se praticava a arte fotográfica(2). O que existia era o daguerreótipo ou processo mais antigo do daguerre, inventor o físico francês, 1787-1851(3). No alto, vê-se a igreja matriz Sant’Ana em construção e ainda sem torre. Essa obra foi iniciada em 1830 e terminada em 1887, ou seja, 57 anos depois.
A torre de leste e a fachada foram obras do arquiteto Nicolau Ferigoni(4). Ao lado da Igreja, o sobrado com telhado de 4 águas é o Fórum e a cadeia. O edifício com a platibanda é o Paço Municipal, sede da Prefeitura. A rua que passa na frente do prédio é a atual Cel. Olegário de Macedo(5). Ao centro, onde está o morro, onde o fotógrafo montou seu equipamento, hoje é o centro social do Sesi.
Fontes:
Jornal Caramuru - 16-07-81
Informação do Sr. Gustavo Ribas confirmada pelo fotógrafo Carlito Kugler.
Dicionário Aurélio
A fundação da cidade de Castro - José Pedro Novaes Rosas.
Pesquisa realizada pelo historiador Dr. Celso Godoy
Documento da Câmara Municipal de Castro
NOTA: Esse retrato bem como o que foi publicado pelo Caramuru nº 2, sobre a Cheia do Iapó, (foto maior) foram cedidos pelo Sr. Everisto Capitão. Aproveitando para esclarecer: as três fotos publicadas referem-se à mesma enchente que, segundo o Sr. Guido Ávila, foi a 17-18 e 19 de novembro de 1937, data em que nasceu o Dedé.
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