A vinda dos colonos alemães para Terra Nova, a partir de 1933, é inseparável do cenário europeu da época. A Alemanha, após a derrota na Primeira Guerra Mundial, enfrentava uma violenta espiral inflacionária e crise econômica. A subsequente Grande Depressão de 1929, somada à ascensão do Nazismo, com seu controle estatal e perseguições, forçou muitos a buscar novos horizontes.
As motivações para a migração eram diversas, variando desde a oposição política ao Nazismo até a busca por progresso econômico e social.
Fundação: A colônia foi estabelecida pela Sociedade de Colonização no Estrangeiro (Gesellschaft für Siedlung im Auslande - G.S.A.), com sede em Berlim.
Aquisição de Terras: A Sociedade adquiriu 1.300 alqueires da Fazenda Marilândia (ex-Garcez) em 18 de julho de 1933.
Perfil dos Migrantes: Ao contrário do esperado, a colônia não era formada majoritariamente por agricultores, mas sim por grupos de profissionais autônomos, intelectuais, músicos e operários especializados.
Organização Inicial: Os colonos recebiam um título provisório de posse e uma casa de madeira, denominada "rancho". A Companhia, por força de contrato, detinha o monopólio do comércio na colônia.
A Preservação Cultural e o Desafio da Guerra
Os colonos, provenientes de diferentes regiões da Alemanha e com a presença de protestantes e católicos, empreenderam um esforço consciente e inconsciente para preservar aspectos de sua cultura.
O traço mais evidente foi a linguagem, com a educação formal na colônia sendo realizada tanto em português quanto em alemão. Contudo, a Segunda Guerra Mundial impactou severamente a comunidade:
Represália Cultural: Com a Guerra, os imigrantes passaram a ser vistos com desconfiança. O Estado proibiu o ensino do idioma alemão nas escolas.
Resistência: Apesar do isolamento imposto pelo conflito, a preservação cultural manteve-se. O idioma alemão, falado nas residências, é destacado como o principal fator da identidade étnica do grupo até hoje.
Do Período Formativo ao Desenvolvimento Econômico
Os primeiros anos da colônia foram marcados por dificuldades econômicas. A inexperiência em agricultura da maioria dos colonos, a prática rudimentar de cultivo e a falta de capital para maquinário levaram a um crescimento incipiente. A subsistência inicial se baseava principalmente no cultivo de milho e mandioca.
Um dos maiores entraves ao desenvolvimento foi a pendência da posse definitiva dos lotes de terra, um problema que impediu o acesso a financiamentos e se arrastou desde o início da Segunda Guerra.
O cenário mudou significativamente a partir da década de 60:
Posse da Terra: Com a resolução do problema da posse definitiva, os colonos ganharam acesso a financiamentos.
Nova Base Econômica: A atividade econômica se modernizou, centrando-se na produção de arroz, milho e, principalmente, no fornecimento de leite para a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná.
Padrão de Vida: O desenvolvimento possibilitou a elevação do padrão de vida, com a maioria das famílias hoje possuindo casas de alvenaria, tratores e veículos.
Em resumo, a história da Colônia Terra Nova é um testemunho da resiliência dos imigrantes alemães, que transformaram a necessidade de sobrevivência e a busca por liberdade em uma comunidade próspera, preservando suas raízes culturais e superando desafios econômicos e políticos. O estudo de Guimarães demonstra a importância de conhecer e analisar estas raízes para a compreensão da sociedade contemporânea.
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