O Chamado do Mistério











Leo caminha pelas ruas até a escola, sempre olhando para a biblioteca com uma sensação estranha. Ele sente que algo lá dentro o chama. Após hesitar por dias, decide entrar. Avelina observa atentamente sua chegada.

O vento fresco da manhã atravessa as ruas estreitas da cidade, fazendo as folhas caídas dançarem sobre o asfalto. Leo segue seu caminho até a escola, mochila pendurada nas costas, olhos fixos à frente—mas sempre, invariavelmente, desviando o olhar para a biblioteca.

Há algo ali. Algo que o faz franzir a testa toda vez que passa por aquela fachada antiga, com suas janelas empoeiradas e sua porta levemente entreaberta, como se esperasse por ele.

Nos primeiros dias, ele apenas acelera o passo, tentando ignorar aquela sensação de que está sendo observado. Mas a curiosidade começa a corroer sua resistência. O brilho suave de um objeto dentro da biblioteca, algo que não consegue discernir, parece chamá-lo silenciosamente.

No balcão da biblioteca, entre pilhas de livros envelhecidos e um abajur de luz amarela, Avelina observa. Suas mãos finas movem-se delicadamente ao virar as páginas de um livro antigo, mas seus olhos—escondidos atrás de óculos de aro dourado—seguem cada movimento de Leo pela rua.

Ela conhece bem esse olhar. Já o viu antes. O olhar de quem sente o chamado.

Leo hesita por dias. Sempre passando, sempre olhando, sempre tentando afastar a ideia de entrar. Mas numa manhã, quando as sombras da escola ainda se projetam pela calçada e os corredores ecoam passos apressados, ele para.

Respira fundo.

Com um último olhar para os prédios ao redor, segura as alças da mochila e atravessa a porta.

O cheiro de papel velho e madeira encerada o envolve instantaneamente. O ambiente parece mais silencioso do que deveria ser. As prateleiras altíssimas, organizadas como labirintos de conhecimento, lançam sombras compridas pelo chão. Ele avança devagar, os olhos percorrendo os títulos, as lombadas desgastadas, o pó acumulado.

Até que…

Ali.

Entre prateleiras esquecidas, uma estante se destaca por seu abandono. Coberta de poeira e teias de aranha, parece intocada há anos. No centro dela, repousa um livro que brilha sutilmente, pulsando como um coração vivo.

Leo sente o arrepio correr pela nuca. Mas ele já tomou sua decisão. Sem hesitar, estende a mão e toca a capa. E o mundo ao seu redor desaparece.

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