As crenças e os rituais fúnebres dos Caingangues eram profundamente ligados aos seus valores guerreiros e ao seu modo de vida caçador.
Crença na Vida Após a Morte Eles acreditavam em um ente bom chamado Tupen, que seria responsável por guiar os mortos na outra vida. O destino espiritual, no entanto, era estritamente determinado pela coragem do indivíduo:
O paraíso dos valentes: As almas dos guerreiros corajosos iriam para uma terra de caça abundante, onde viveriam sem a necessidade de trabalhar. Acreditavam que antas gordas viriam se oferecer diretamente às suas flechas, poupando-os de qualquer esforço de correr pelos matos.
A maldição dos covardes: As almas daqueles considerados covardes não iam para esse paraíso; elas ficavam presas à terra e alimentavam-se de minhocas. Essas almas, conhecidas como vaccoprí, eram extremamente temidas pelas mães de recém-nascidos, pois acreditava-se que elas arrebatavam as almas dos bebês para lhes fazer companhia.
Rituais de Enterro Quando percebiam que um doente não escaparia da morte, os parentes o confortavam prometendo enterrá-lo com seus melhores trajes (novos curús), um bonito arco e flecha e um grande colar de contas, além de garantirem que cuidariam de suas mulheres e filhos.
O sepultamento: O enterro ocorria imediatamente após a morte. O corpo era colocado deitado em uma cova superficial, forrada e coberta com madeiras e terra. Junto a ele, eram enterrados seus objetos pessoais: arco, flechas, machado e curú.
O túmulo em forma de pirâmide: Eles preparavam bebidas fermentadas e convidavam os vizinhos para ajudar na construção do túmulo. Usando cestos, carregavam terra e a depositavam sobre a sepultura até formarem uma grande pirâmide cônica, que podia atingir de 2 a 4 metros de altura e ter uma base de 6 a 8 metros de diâmetro.
Celebração e cantos: Após erguerem o túmulo, todos retornavam ao rancho do falecido. Sentados ao redor de uma grande fogueira, bebiam quiqui e cantavam em homenagem às ações e feitos do morto. Com o tempo, passavam a dançar em saltos compassados ao som de chocalhos (maracás). A celebração (com muita bebida, canto e dança) continuava até o vinho acabar, momento em que todos iam se lavar no rio e dormir.
Luto: As mulheres da família (esposas, mães, filhas e irmãs) mantinham o luto e choravam a perda por muitos dias após o enterro.
Esses grandes rituais e monumentos de terra, no entanto, eram reservados aos adultos. Quando uma criança morria, ela era enterrada em uma cova rasa, sem a construção de pirâmides e sem a realização de festas
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