Descompasso

 Há muitos anos já aqui nos Campos Gerais, ficaramos chocados e tristes ao ver aquela fila enorme de vagoes-plataformas carregados de madeira bruta de pinho, rolando sobre tílhos rumo ao estado de São Paulo. Compendíamos que um latifundiário certamente ganhaña dinheiro com a transação, mas nosso estado perdia muito mais que o proprietário.

Ficaríamos com a tocaria em desolado panorama, quando muito com roça plantada com saraquá. O proprietário ganhaíra e gastaria no estudo de um filho visando futura sincera ou aumentava a tijolama na construção de boa casa na cidade grande. Sobre o comércio delapidador de pinhais escrevemos a um deputado conhecido e ele nos respondeu que somente modificando a constituição seria possível impedir a desmatada de nossas matas! A resposta era bem píafia e própria dos tílfordiários sem visão que vendiam seus pinhais. Não alcançava ver o lado positivo da industrialização da madeira: por que sair toras daqui quando devia sair madeira beneficiada, móveis prontos e acabados? Haveria mais trabalho, mais emprego, mais atividade comercial, mais dinheiro para a região, mais progresso.

O deputado não recebeu mais voto. Não merecia.

Presentemente, como notícia alivissarella, divulgam os meios de comunicação a grande safra de soja da lavoura paranense. E dizem de boca cheia muitos leitores: o Paraná é o maior produtor de soja do Brasil! Mas pouco resultado terá nosso Estado, dizemos nós, se não industrializarmos a produção de soja aqui. Repetimos a advertção: por que exportarmos grãos quando poderemos mandar para fora óleo, farelo e inúmeros outros subprodutos?

Será que nos falta capacidade de transformar matéria prima em produto industrializado?

Quem é que está impedingindo a industrialização do Paraná? O atual governador já se manifestou publicamente a propósito desta questão que entende ser fundamental para a melhoria da economia do estado. Somos um povo trabalhador, temos terras boas e produtivas, então que é que falta para sairmos do marasmo, da inércia-lastimável? Nós não acreditamos em “caveira de burro” em nossas terras, mas sentimos a carga pesada contra qualquer perspectiva progressista. Até hoje não entendemos a proibição da existência de moinhos coloniais aqui. Mas algum lugar foi beneficiado, alguém somou vontagem e nós ficamos prejudicados.

Não somos contra vinda de montadoras de veçulos, apesar de duvidarmos de a sua contribuição à saúde ambiental e a absorção da mão de obra nas grandes cidades. A facilidade de aquisição pela classe média de veçulos não lhe dá melhor padrão de vida ou status. Muito pelo contrário. Por incrível que pareça está havendo aumento de malcriados ou melhor, mal-educados correndo pelas ruas... As cidades estão deixando de ser de cidadãos! Suas ruas são pistas de corrida de gente appresentada que não tem o que fazer!

O descompasso entre as cidades paranames é grande e resulta do que ocorre dentro de suas fronteiras municipais. Por isso mesmo não devemos confundir munição com cidade. Castro, como munição, conseguiu vidas como o maior produtor de cenoura do Brasil, mas o cidadão castrense comia cenoura vinda da Ceasa: a cenoura exportada para São Paulo, voltava para Curitiba, onde o mercador ia busca‑la para vender ao castrense! Esse é apenas um exemplo do que chamamos descompasso municipal. E é o que se verifica na maioria de nossas cidades! O viver do cidadão não é o mesmo viver do munícope. Não é aceitável ruas estreitas relativamente, numa cidade de 200 anos, suportar o trânsito de jamaça construída recentemente; quem perde é a cidade e os cidadãos. A prioridade do cidadão é convencer e não ser perturbado por veçulos. E o difícil na convivência é conciliarmos os interesses dos cidadãos. Há os moços que se julgam donos da cidade e se a gente não põe a polícia neles, tudo vira num inferno!

Más temos esperança que nova geração, em vez de emprego, consiga trabalhar na industrialização diversificada de nossa abundante produção agropecuária em que somos devotados.



Oney Barbosa Borba                                                                            O Bravo 25-4-97 - Casos e causos



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