A situação política no Paraná durante a Ditadura Militar (1964-1985) foi marcada por uma transição inicialmente fluida para o novo regime, seguida por um longo período de controle centralizado por meio de governadores nomeados ("biônicos") e tensões sociais latentes no interior do estado.
Aqui estão os pontos fundamentais para contextualizar esse período:
A Adesão ao Golpe e o Papel de Ney Braga
Diferente de outros estados onde houve resistência imediata, no Paraná a transição do governo civil para o militar foi considerada tranquila pelas forças armadas.
A Era dos "Governadores Biônicos"
A política paranaense foi gerida por figuras escolhidas diretamente pelo governo federal ou pela Assembleia Legislativa sob controle militar, conhecidas como "biônicos". Esse ciclo incluiu nomes como:
Haroldo Leon Peres: Nomeado em 1971, mas afastado poucos meses depois sob acusações de corrupção, o que gerou crises de imagem para o regime no estado.
Pedro Viriato Parigot de Souza e Emílio Gomes: Gestões marcadas pela continuidade administrativa e alinhamento técnico ao projeto nacional.
Jayme Canet Júnior (1975-1979): Sua gestão coincidiu com o auge da repressão e o início da abertura lenta e gradual de Geisel.
Vigilância e Repressão no Interior
O controle não se limitava à capital. A 5ª Região Militar, sediada em Curitiba, exercia vigilância sobre todo o estado.
Conflitos Agrários: O Sudoeste e o Oeste do Paraná eram zonas de alta tensão devido a disputas de terras. Grupos como o "Grupo dos Onze" (ligados ao brizolismo) foram alvos constantes de prisões e interrogatórios.
Movimento Estudantil: Cidades como Ponta Grossa sentiram o peso da "Operação Pente Fino" em 1968, que visava desarticular a insurgência estudantil e docente em instituições de ensino.
A Ascensão da Oposição (MDB)
A partir de meados da década de 1970, o bipartidarismo imposto pelo regime começou a sofrer abalos. O MDB (Movimento Democrático Brasileiro) cresceu significativamente nas eleições de 1974 e 1978 no Paraná, refletindo o desgaste econômico e moral do governo. Esse avanço forçou o regime a lançar mão de casuísmos como o "Pacote de Abril" de 1977, que criou senadores biônicos para garantir a maioria governista. No final da década, nomes como Álvaro Dias e José Richa emergiram como novas lideranças liberais que capitalizariam o desejo de mudança no estado.
Oney Borba
Oney Borba atuava como uma força de resistência intelectual que tensionava justamente a "estabilidade" política construída pelas elites paranaenses e pelos governadores biônicos. Enquanto o governo estadual buscava projetar uma imagem de progresso técnico e alinhamento nacional, Borba usava sua verve a partir de Castro para expor as rachaduras dessa narrativa.
Aqui está como a figura de Oney Borba se encaixa nesse cenário político:
O Contraponto ao "Civismo Ufanista" de Ney Braga
Enquanto Ney Braga consolidava a adesão do Paraná ao golpe com o apoio das classes médias e setores conservadores , Oney Borba representava o intelectual que trazia na bagagem a cicatriz da repressão (tendo sido preso ainda em 1936 por convicções políticas).
Resistência em "Praças Vigiadas"
Apesar da vigilância rigorosa da 5ª Região Militar sobre o interior paranaense
O Bravo (1974-1976): Este jornal tornou-se um polo de resistência intelectual durante o governo de Jayme Canet Júnior, um período de repressão intensa, mas também de início da abertura lenta.
Subterfúgio: Borba utilizava a "mímica e a dissimulação" em sua escrita.
Ele não fazia apenas a oposição direta e partidária (como a do MDB), mas uma crítica sistêmica à hipocrisia das elites locais que davam sustentação política aos governadores nomeados pelo regime.
Desconstrução da "História Oficial" como Ato Político
O projeto de "integração nacional" dos militares buscava homogeneizar a identidade brasileira e exaltar figuras históricas de comando.
A Crítica à Identidade Referência
No ocaso da ditadura, enquanto novos líderes como José Richa e Álvaro Dias começavam a dominar o campo político paranaense com uma renovação liberal , Oney Borba publicou Preconceitos e Violência (1984).
Em suma, Oney Borba foi o intelectual que provou que, mesmo em um estado onde o golpe foi "tranquilo" e a política era gerida por biônicos, a inteligência crítica no interior mantinha acesa uma trincheira de liberdade por meio da escrita visceral e do rigor histórico.
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